Cristão e o Carnaval

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O Carnaval tem sua origem em épocas e civilizações muito antigas, derivando sua comemoração de crenças e costumes de vários povos. Os festejos atuais têm suas raízes em comemorações muito antigas, sendo adaptadas à cada povo e cultura. Vejamos as linhas gerais dessa origem e comemoração nos diversos povos e culturas no decorrer da história da humanidade:

1 – No Egito Antigo

Em tempos remotos o Egito festejava suas grandes divindades, o boi Ápis e ísis, com grandes celebrações populares. Nestas o povo participava com procissões e oferendas, músicas e danças, num misto de devoção e euforia coletivas, prestando homenagem a essas divindades tão estimadas. Especificamente na festa ao boi Ápis, os egípcios pintavam um boi branco com vários símbolos e cores, o cotejavam festivamente pelas ruas, com toda a sociedade egípcia fantasiada ou mascarada e em grande devassidão, até que finalmente no rio Nilo afogassem esse boi. E a deusa ísis também era homenageada com folguedos populares, com pompa, devoção e euforia dos seus adoradores.

2 – Na Grécia Antiga

Os gregos foram a civilização mais intelectual do mundo antigo, não só criando e desenvolvendo uma cultura nova, como também assimilando e reformulando conceitos e costumes de outros povos. Em matéria de costumes religiosos eles criaram e viveram em função de uma mitologia tão diversificada que não havia nada no seu cotidiano que não fosse regido por uma divindade específica. E nessa diversidade de crenças e celebrações, algumas divindades tinham seus cultos que consistiam em festins de grande euforia popular, como no caso do culto a Dionísio, considerado filho de Júpiter. Dionísio era o deus do vinho, e em sua homenagem o povo bebia e se embriagava, saía em grandes procissões com toda sensualidade e devassidão.

3 – No Império Romano

O Império Romano, englobando muitas nações com seus vários costumes, sintetizou muito deles em certas comemorações novas, ou apenas adaptou os mesmos para sua mentalidade ou interesses próprios. É por isso que os deuses da mitologia antiga têm nomes gregos e latinos.

A Roma antiga, era cheia das muitas diversões para agradar a todos, e assim tinha seus muitos ‘carnavais’. Deu outra forma à crença e comemoração gregas a Dionísio, transformando-o em Baco e celebrando lhe os famosos ‘bacanais’.

Em meados de dezembro realizavam-se as ‘Saturnais’ que eram festividades a Saturno, que segundo a crença geral era o deus expulso do Olimpo, tornando-se o doador da alegria, em contraposição à miséria e pobreza, tão comuns na sociedade daquele tempo. Em fevereiro celebravam as ‘lupercais’, que eram cortejos dos sacerdotes do deus Pã, chamados ‘lupercos’, que despidos e sujos de sangue agitavam as multidões. Em março comemoravam com grande algazarra a festa ao deus Baco, os conhecidos ‘bacanais’ romanos, que possivelmente eram a maior celebração popular antiga, em que seus participantes embriagados cometiam todos os devaneios possíveis.

Nessas festas os participantes, tais como os Indus, usavam máscaras e invocavam seus antepassados mortos e lhes celebravam homenagens. Em todos esses festins o Império Romano praticamente parava, para que o povo ficasse por conta das comemorações. As diversas classes sociais se misturavam desfazendo-se as desigualdades, a ordem pública era quase abolida, escolas, tribunais e repartições públicas do governo fechavam suas portas, e a imoralidade e libertinagens outras ficavam liberadas. E como se usava máscaras e fantasias, era difícil identificar os participantes!

Nesta celebração, abolia-se a decência e o povo extravasava suas euforias sufocadas pela moral de outras épocas do ano, escarnecia-se das realidades gerais do seu cotidiano, e numa total liberdade de expressão física e verbal, sem restrição alguma, dramatizava e até ridicularizava tudo que era considerado motivo para farras. Acredita-se que a origem dos carros alegóricos seja a maneira de ridicularizar os carros dos generais romanos e suas entradas triunfais após grandes vitórias militares…

Como Roma influenciou tantos povos e culturas, o seu Carnaval foi exportado para grande parte do mundo, sendo celebrado em cada lugar com os estilos próprios dos povos que o incorporaram no folclore local.

E no decorrer da história, mesmo com o advento do Cristianismo, o Carnaval não foi abolido das celebrações anuais, mesmo que autoridades eclesiásticas de grande expressão como Tertuliano, Cipriano e Clemente de Roma se opusessem a tal costume, o Carnaval continuou e chegou inclusive a ser incentivado e patrocinado pelo Papa Paulo II, pois em meados do século XV durante seu pontificado, perto do seu palácio, na Via Lata, se celebrava os festejos carnavalescos com máscaras, corridas de cavalos, carros alegóricos e batalha de ovos, farinha e água entre os participantes!

4 – O Carnaval Brasileiro

O Carnaval chegou ao Brasil com os colonizadores. No início estava vinculado mais à classe alta da nobreza e com o tempo foi também celebrado por outras classes sociais; tudo isso nas regiões mais influentes do período colonial, como a Bahia e principalmente Rio de Janeiro.

Segundo alguns historiadores, a primeira manifestação carnavalesca no Brasil se deu em 1641, no Rio de Janeiro, quando para comemorar a restauração do trono português, com muita pompa membros do governo carioca da época fizeram grande cortejo em saudação a D. João IV. Já nesse tempo os portugueses tinham seu festim eufórico, chamado ‘entrudo’, que consistia da entrada de cortejos pelas ruas e avenidas, com músicas, danças e fantasias, com o envolvimento dos que desejassem participar. Em tempos posteriores, no século XIX, segundo se tem notícia, o próprio recatado D. Pedro II, na Quinta da Boa Vista, (Rio de Janeiro), participava dos festejos, atirando água aos membros da nobreza, pois era costume nestes festins, o jogar água, talos de hortaliças, farinha e ovos entre os foliões.

Em 1840 foi realizado o primeiro baile com máscaras, isso no Hotel Itália no Rio, por iniciativa da italiana sua proprietária. Alguns anos depois, em 1848, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates – (o Zé Pereira), saiu no cortejo tocando bumbo, dando origem assim aos ritmos carnavalescos, que nesse tempo já era de grande participação popular, onde as diversas classes sociais se misturavam na festa, sendo que escravos se vestiam de ricos para ridicularizar seus patrões! Com o tempo esses cortejos foram sendo organizados em grupos, surgindo assim, em 1866, os ‘cordões’ ou as sociedades carnavalescas. Em 1885 já havia desfiles com carros alegóricos.

Na Bahia, por esse tempo, o Carnaval já era predominante, pois surgia em 1885, os ‘afoxés’, grupos ou sociedades carnavalescos formados pelos escravos. Essas sociedades sempre foram muito influentes no carnaval baiano, e ainda hoje têm seus blocos remanescentes, como ‘os filhos de Gandhi’ e o ‘Olodum’, internacionalmente conhecidos.

No Rio de Janeiro, em 1889, os blocos carnavalescos foram organizados e até licenciados pelas autoridades locais para as suas apresentações, tornando-se assim em desfile oficial, com carros alegóricos e muitas fantasias. Pouco tempo depois, em 1892, chegavam os confetes importados; depois as serpentinas substituíram as rosas que eram jogadas nos foliões… Mais tarde, em 1906, chegavam da França os ‘lanças-perfume’, proibidos futuramente na década de sessenta, por serem usados como entorpecente. Músicas eram compostas para cada Carnaval, com temas variados: assim a renomada abolicionista Chiquinha Gonzaga compôs em 1899, o “Ô abre alas”; em 1917 surgiu o primeiro samba, o “Pelo telefone” de Donga. Em 1919 já havia concursos de músicas carnavalescas no Rio de Janeiro, algo que tanto floresceu que o prefeito Pedro Ernesto o oficializou em 1932.

A primeira escola de samba nasceu no Rio no Bairro do Estácio, em 1928. Em 1933, o jornal carioca ‘A Noite’ instituiu o “Rei Momo”, e o primeiro foi o compositor Silvio Caldas. Em 1935 ocorreu a legalização do desfile das escolas de samba, e no ano seguinte já havia concurso de fantasias. O primeiro grande desfile de fantasias aconteceu no Teatro Municipal do Rio, em 1937. Na década de sessenta surgiram as bandas, e mais recentemente os trios elétricos…

Em linhas gerais esse é o histórico do Carnaval brasileiro, sendo hoje uma das maiores festas do mundo. Gastos enormes são feitos pelo poder publico para essa festividade, desde enfeites decorativos, até prevenção ou combate à doenças ou tragédias vinculadas ao evento. Sem se considerar crises ou fatores adversos, anualmente o país pára por alguns dias e celebra o Carnaval, que a cada ano se torna mais requintado, sensual e profano.

Sendo assim, o Carnaval é comemoração antiga, oriunda de várias culturas remotas, celebrado com objetivos diversos, sejam religiosos e pagãos, ou simples folclore de um povo que faz sua diversão nacional, conhecida como ‘reinado de Momo’. Para fins de esclarecimentos, “Momo” ou ‘Sarcasmo’, segundo a mitologia grega, era um deus, filho do deus Sono e da deusa Noite, que no Olimpo criticou as maravilhas feitas pelos deuses Netuno, Vulcano e Minerva, o que provocou sua expulsão do Olimpo, vindo então para o reino dos homens na terra, sorrindo como se nada lhe tivesse acontecido e, perdido nesse contexto, com seus olhos escondidos por uma máscara, passou a observar todas as ações divinas e humanas, e nelas encontra motivos para se divertir e fazer suas zombarias…

Portanto, o Carnaval é mesmo o reinado de Momo e apesar de não ser comemorado especificamente para esse suposto deus decaído, tal festa é a real expressão desse conceito pagão tão antigo, na qual predomina toda espécie de escárnio, zombaria ou ridicularizações bizarras, exatamente como o comportamento de Momo, considerado como ‘Rei do Carnaval’.

O CRISTÃO E O CARNAVAL

O Carnaval não é comemoração ou festividade condizente com a conduta cristã. Portanto os que servem a Deus não praticam aquilo que Ele reprova, antes procuram ser fiéis ao Senhor se abstendo do Carnaval, amando e servindo só ao Senhor Deus, se afastando de tudo que não contribui para a glória divina e sua santificação cristã pessoal. E esse comportamento cristão quanto ao Carnaval pode ser assim explicado:

1 – O Carnaval é festa idólatra para deuses pagãos

Uma séria razão para o cristão não participar do Carnaval é devido a origem, essência e motivos antigos ou modernos dessa festa, pois antes de se tornar um folclore ela era feita para divindades pagãs, sendo essencialmente idólatra e com motivações extremamente contrárias à conduta cristã. Uma simples avaliação dessa festa evidencia que sua celebração não é própria para quem conhece e serve ao Senhor, pois Ele diz em sua Palavra: “… todos os deuses dos povos não passam de ídolos”,(Sl. 96:5). Realmente, os povos criaram seus ídolos pagãos e alguns os serviram com o Carnaval. O cristão não pode se comportar assim.

Tristes são as referências bíblicas que descrevem as abominações praticadas pelo povo de Deus nessa área de festividades/cultos idólatras: “… se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras; deram culto a seus ídolos os quais se lhes converteram em laço”; “… com deuses estranhos O provocaram a zelos, com abominações O irritaram. Sacrifícios ofereceram … não a Deus”, (Sl. 106:35-36; Dt.32:16-17). E o pior de tudo é que tais sacrifícios e cultos, segundo o Senhor Deus, eram essencialmente para ‘demônios’, (Dt.32:17; Lv.l7:7; Sl. 106:37; I Co. 10:19-22).

O cristão não participa do Carnaval pois não serve a ídolos, sendo assim fiel à ordem divina: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto”, (Mt.4:10).

2 – O cristão é alheio a deuses e costumes pagãos

O servo de Deus não se envolve com o paganismo, com seus deuses, crenças ou costumes. Sendo o Carnaval algo essencialmente pagão, por questão de amor e fidelidade ao Senhor, o cristão é alheio a essa celebração. Ao se comportar assim o cristão está obedecendo ao mandamento do Senhor dado ao seu povo desde o passado em relação às nações pagãs da antiga Canaã: “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás afazer conforme as abominações daqueles povos”,(Dt.18:9); “Guarda-te, que te não enlaces em imitá-las… e que não indagues acerca de seus deuses, dizendo: assim como serviram estas nações aos seus deuses, do mesmo modo também farei eu”, (Dt.12:30).

O povo infelizmente imitava os pagãos, pois ainda no deserto, antes de entrar em Canaã, na ausência de Moisés quando este estava no monte para receber a Lei, decidiram fazer um bezerro de ouro, oferecer sacrifícios e festejar com cânticos e danças, pois “… assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se”, (Ex.32:1-8,18-21), tal como faziam os egípcios pagãos com quem conviveram. Tempos depois, esse mesmo povo, agora já estabelecido na terra prometida, se rebela contra Deus, que os pune com o cativeiro, que segundo Ele era porque “…seguiram ídolos e se tornaram vãos, e seguiram as nações que estavam em derredor deles, das quais o Senhor lhes havia ordenado que não imitassem”, (II Rs. 17:15).

Na era apostólica, os moradores pagãos de Listra, quando prepararam um verdadeiro Carnaval, foram advertidos por Paulo e Barnabé, no sentido de que toda expressão de culto ou manifestação idólatras são “cousas vãs”, e que esses que assim se comportam devem se converter ao Deus vivo e Criador supremo, (At. 14:13-15).

Portanto, o cristão é alheio ao Carnaval porque não imita os costumes dos que estão ao seu redor, sendo conhecedor de que o Senhor abomina essas celebrações pagãs e que na Sua ira executa justo juízo sobre os que O trocam por ídolos pagãos e suas manifestações de culto ou festividades profanas.

3 – O Carnaval é festa essencialmente carnal

Outra razão tem o servo de Deus para não participar do Carnaval – é porque tal festa é a grande celebração pecaminosa da carne. De todas as comemorações o Carnaval é a maior expressão de sensualidade profana, quando se dá vazão à toda forma de manifestação carnal no que se refere ao erótico, bizarro e ridículo, promovendo assim a imoralidade e devassidão.

É uma festa tão desregrada que o próprio governo reconhece sua necessidade de conter a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis e também providencia meios de minimizar ou atender transtornos oriundos de desordens gerais ocorridas nessa comemoração.

Todos os anos, após o Carnaval se contabiliza os tristes resultados consequentes a essa festa, quanto à toda sorte de prejuízos morais, sociais, físicos e financeiros, muitos dos quais sem possibilidade de serem reparados.

O cristão está no Espírito e não na carne, pois os que estão na carne não podem agradar a Deus, (Rm.8:8-9); e tem como ordens divinas: “Não ameis o mundo, nem as cousas que há no mundo… porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo”, (I Jo.2:15-16). “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”, (Ef.5:ll); “…nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências”, (Rm.13:14).

Diante dessas ordens tão claras, não tem como o cristão se envolver com o Carnaval, que é tão apelativo aos apetites carnais e profanos, pois a celebração em si é uma expressão prática dessa concupiscência.

Todo aquele que conhece Jesus passa a servi-lo, abandona a devassidão, como diz a Palavra de Deus: “porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências… orgias…”, (I Pe.4:3), e ainda, “…renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente…”, (Tt.2:12); “Amados, exorto-vos,… a vos absterdes das paixões carnais que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios…”, (I Pe.2:11-12). E é possível cumprir essa vontade de Deus, pois os crentes romanos, instruídos por Paulo a serem alheios às impurezas carnais, (Rm. 13:12-14), souberam ser distintos e puros, ao ponto do próprio Paulo mencionar os “santos da casa de César”, (Fp.4:22). Se eles foram santos na casa de César, onde segundo a história, reinava toda sorte de manifestações profanas, também hoje devemos brilhar como luzeiros no meio dessa geração pervertida e corrupta, (Fp.2:15).

Festejar o Carnaval, seja de forma ativa nos cortejos ou apenas ‘assistindo passivamente’ como dizem alguns, em essência é participação e envolvimento em prática carnal e profana, como expressão de sentimentos e apetites sensuais, de condutas que corroem o caráter e depreciam a moralidade séria exigida por Deus. O Carnaval não é conveniente. A nós cristãos convém a santidade e não a profanação, pois Deus exige que até em matéria de pensamentos devemos nos envolver somente com o que é ‘respeitável, puro, de boa fama, virtuoso e louvável’, (Fp.4:8). O envolvimento com o Carnaval contraria esse alvo cristão.

4 – O cristão vive nova vida em Cristo

O servo de Deus não participa do Carnaval porque quem está em Cristo é nova criatura, tudo se fez novo pela regeneração operada pelo Espírito Santo, (II Co.5:17; Tt. 3:4-5). Sua nova natureza não condiz com o que é profano, carnal e abominável ao Senhor. Sua conduta é descrita como ‘não andar no conselho dos ímpios, não se deter no caminho dos pecadores e não se assentar na roda dos escarnecedores’, (Sl.1:1); buscando sempre ‘andar em novidade de vida’, (Rm.6:4); ‘não se tornando insensato, mas procurando compreender qual a vontade do Senhor’, (Ef.5:17); ‘não se conformando com esse século, mas sendo transformado pela renovação da sua mente’,(Rm. 12:2).

O Carnaval se apresenta como uma festa sedutora, atrativa, mas o cristão sincero, maduro, convicto de sua nova vida em Cristo não admite tais artimanhas do mal, antes tem consideração pelo ensino bíblico: “Se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas”; “Quem anda com sábios será sábio, mas o companheiro de insensatos se tornará mau”; “… o companheiro de libertinos envergonha a seu pai”, (Pv. 1:10; 13:20; 28:7).

Considerando essa realidade se reconhece que o Carnaval não é comemoração compatível com a conduta cristã, pois em essência e prática ele é extremamente profano. A participação no mesmo é algo que compromete o cristão na sua nova natureza e processo de santificação. Até aqueles que não são cristãos, mas têm uma moralidade séria se abstêm do Carnaval, reconhecendo o quanto ele é nocivo aos bons costumes e promotor de tanta devassidão. Se os moralistas assim se comportam, muito melhores devemos ser como cristãos!

5 – A alegria do Carnaval não é a alegria cristã

Concluindo, o posicionamento cristão quanto a não participar do Carnaval é porque a suposta alegria oferecida por essa festa não é a alegria verdadeira, real que realiza o coração humano. Uma das ordens divinas é: “Alegrai-vos sempre ‘no Senhor’…” ; “servi ‘ao Senhor’ com alegria…”, (Fp.4:4; SI.100:2). Essa alegria real, fruto do Espírito Santo na vida do cristão, (G1.5:22), em nada se relaciona com a tal ‘alegria’ do Carnaval, que é ilusória, carnal, vinculada às libertinagens ou motivos fúteis.

O cristão se alegra na alegria prometida e concedida pelo Senhor, (Is.55:12), alegria essa que fortalece, (Ne.8:10), que pode estar presente em toda e qualquer situação, (Fp.4:11 ;II Co.6:10), pois ela se baseia em Deus que é imutável, e a razão dessa alegria.

Sendo assim o cristão se alegra no Senhor e não no Carnaval; ou em outras palavras, não busca nem precisa de uma alegria ou euforia tão ilusória, mas vive e se alegra em Deus que lhe concede a verdadeira realização de vida. Quem conhece e vive a realidade não se envolve com o ilusório – isso é até uma questão de coerência e lógica, e para o cristão é conduta piedosa perante o seu Deus e Senhor.

CONCLUSÃO

O Carnaval é a grande festa da humanidade, sobressaindo às demais celebrações populares. Todos os anos é a comemoração tão esperada e, independente de crises e dificuldades, é o festejo mais expressivo do ano. De origens tão remotas, influenciado pelas culturas mais diversas, tem se firmado como folclore vivo no decorrer da história. Celebrado originalmente para deuses da mitologia pagã ou como expressões dos apetites carnais, neste festim se extravasa as euforias ou desabafos populares das mais diversas formas. Visto por muitos como uma demonstração de alegria, é comemorado por todas as classes sociais, tornando-se uma diversão comum a muitos povos.

Diante de tal realidade o cristão avalia essa festa pelo prisma da verdade bíblica e se posiciona como alheio a tal celebração, convicto de que sua conduta cristã não se harmoniza com o Carnaval. Quem conhece, ama e serve a Deus tem o discernimento espiritual para entender que o Carnaval é festa profana e pagã, oriunda de homenagens a falsos deuses e expressão dos sentimentos carnais contrários à boa conduta moral, pois nessa festa se extravasa todas as manifestações dos prazeres sensuais, numa promoção de imoralidade, como também se escarnece e ridiculariza tudo e todos.

O servo de Deus vive dentro de um contexto cultural e não é alguém alienado, porém aceita e vive somente aquilo que não contradiz a sua fé. Nesse particular do Carnaval, a sua essência e prática são muito mais que um simples folclore, e contrariam completamente os princípios da fé e ética cristãs, e o servo de Deus não pode abrir mão desses princípios sagrados para se associar com tal celebração profana e inconveniente.

Deus deseja a santificação de cada um de nós seus servos, nos encaminhando às veredas da sua graça e conhecimento, e o Carnaval em essência e prática é contrário a tudo isso, razão pela qual não somos participantes do mesmo. Tudo o que o Carnaval promove, oferece ou expressa não serve para a vida cristã, antes, são coisas que reprovamos e das quais fugimos.

É assim que encaramos o Carnaval, como festa imprópria a todo aquele que se firma nos bons preceitos da vida cristã genuína e da moralidade séria, nobre e respeitável. E mais, devido a fascinação que temos por Jesus e gosto pela nova vida que dEle recebemos, as profanações e manifestações da natureza carnal não fazem mais parte da nossa conduta que agora é para servir ao Senhor e usufruir das maravilhas do seu reino.

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