Cristão pode Beber bebidas Alcoólicas?

Cristão pode Beber bebidas Alcoólicas

Cristão pode Beber bebidas Alcoólicas

Vamos tratar sobre um assunto polêmico: “Bebidas alcoólicas” está presente através de discussões, pesquisas e também dúvidas acerca da conveniência quanto ao uso das mesmas. E no nosso país, onde se estima que 10% da população seja dependente do álcool, e que existe uma grande variedade e oferta de bebidas, nacionais ou importadas, disponíveis no mercado e consumidas quase que livremente, então a situação requer uma ponderação séria sobre o tema, e por essa razão são constantes os estudos, análises, palestras e publicações sobre o assunto.

A Igreja cristã está inserida nesse cotidiano e não pode ser alienada dessa realidade, pois tem a sua responsabilidade de viver e ensinar a verdade sagrada. E internamente a igreja enfrenta desafios nessa área, pois alguns de seus membros não conhecem qual deve ser a real conduta nesse assunto, e se não sabem, possivelmente estão influenciando negativamente a outros através de suas condutas equivocadas.

Nessas pequenas páginas pretendemos tratar essa questão. Abrindo a Palavra de Deus nos é possível conhecer acerca das bebidas alcoólicas e, de posse do que Deus diz traçaremos qual a conduta que Ele requer nesse particular. Sendo assim, nosso propósito nessas linhas é tratar o assunto de forma bíblica, formando um posicionamento cristão acerca de como se comportar em relação às bebidas.

Bebidas no contexto Histórico Bíblico

No contexto bíblico, isto é, na história e costume do povo de Deus, se nota a presença das bebidas. Naquelas épocas bíblicas havia muita variedade de espécies de bebidas, e essas eram feitas pelo processo de fermentação natural de frutas ou cereais, as matérias-primas básicas na confecção das mesmas. Só bem posteriormente os árabes descobriram o processo de destilação e o álcool, inclusive legando às culturas essa palavra. Nas páginas bíblicas temos referências ao ‘vinho‘, ‘bebida forte‘ ou ‘bebida misturada‘, e essas expressões referem-se aos vários tipos de vinho ou substâncias adicionadas ao mesmo.

Dentro do nosso conceito geral, quando se fala em ‘vinho‘ se pensa especificamente num produto da uva, mas no contexto bíblico havia ‘vinho de todas as espécies ‘,(Ne.5: 18), pois além da uva fazia-se vinho de romã, maçã, tâmaras, figo, alfarroba e espelta, que era uma espécie de trigo.

Também era comum acrescentar a esses vinhos pimenta e mel, para se obter uma espécie diferente. Portanto, o ‘vinho‘ podia ser de vários aromas e oriundo de diferentes frutas ou cereais, produzido através de fermentação natural. Acredita-se que o teor alcoólico desses vinhos era em torno de 10%, nunca mais do que isso, dado ao processo de levedura ou fermentação. E nesse caso, o vinho novo, ainda em fermentação, deveria ser colocado em odres novos que resistissem esse processo, (Mt.9:17), e era doce, vermelho, muito forte e embriagante, (Pv.23:31; Os.4:11).

O texto de At.2:13 faz menção a esse tipo de vinho e seus efeitos, conforme a suposição dos que escarneciam dos apóstolos. Em muitas passagens bíblicas é mencionada a ‘bebida forte‘, que tanto poderia ser a ‘cerveja ou vinho de cevada’, (Lc. 1:15), ou uma mistura de essências ao vinho comum, (Is.65:11; 5:22). O vinho velho era mais saboroso e preferido, (Lc.5:39), e para os que assim apreciavam, havia o vinho aromático feito de romã, (Ct.8:2).

As Bebidas no cotidiano dos Judeus (povo escolhido)

A bebida fazia parte da vida do povo de Deus. Estava presente em várias ocasiões e, devidamente usada possuía até função específica.

  1. a) Nas refeições: O vinho estava presente na mesa judaica. Encontramos Melquisedeque servindo-o juntamente com pão a Abrão, (Gn. 14:18); estava nas provisões do levita peregrino, (Jz.19:19), e o rei Roboão fez depósitos para armazená-lo nas cidades, (II Cr. 11:11). E foi numa refeição pascal que Jesus dele se utilizou e até o instituiu como elemento para a santa ceia, (Mt.26:26-29). Realmente, o vinho fazia parte da mesa oriental, sendo uma das bênçãos provindas das mãos de Deus para o seu povo, (Sl. 104:15; Dt.7:13 e Am.9:13-14).
  2. b) Nas festas: vinho era usado comumente nas festividades sociais, servido entre canções, (Is.24:9), alegrando a vida, (Ec.10:19); não podendo faltar num casamento festivo, (Jo. 2:1-10).
  3. c) Nos sacrifícios a Deus: O vinho fazia parte dos sacrifícios no altar de Deus. Quando se oferecia um animal para ser queimado ao Senhor, usava-se o vinho como ‘libação’, pois era derramado sobre o sacrifício, (Ex.29:40; I Sm. 1:24; Ed.6:9-10 e I Cr.9:29).

Conselhos a luz da palavra sobre o consumo das bebidas

É evidente nas Escrituras Sagradas que o vinho ou as bebidas estavam presentes no cotidiano do povo escolhido. Mas para esse costume popular Deus deu regulamentos que são os ensinamentos gerais de como deve o servo de Deus se comportar em relação às bebidas.

  1. a) Perigos do excesso: Sendo que a bebida estava presente na vida do povo de Deus e esse povo a usava normalmente, o Senhor Deus proibiu o abuso, ou o excesso no beber, dando instruções claras quanto aos perigos do excesso. Como já foi mencionado, havia diversos tipos de bebidas, algumas fracas e outras fortes, e aquilo que era comum ao povo como o vinho simples, seu uso era normal, porém usá-lo em excesso foi condenado ou proibido por Deus. Podia-se beber vinho, porém com a precaução de jamais ser dominado por ele. Eis o ensino sagrado: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; todo aquele que é por eles vencido não é sábio”,(Pv.20:1). E Deus lamenta a sorte dos heróis da bebedice: “ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice, e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta…, ai dos que são heróis para beber vinho, e valentes para misturar bebida forte…”,(Is.5:11,22); e entre esses naquele tempo estavam até profetas e sacerdotes vencidos pelo vinho e bebida forte, (Is.28:7). “Não vos embriagueis com o vinho…”, “…não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão for… beberrão…”,(Ef.5:18; I Co.5:11), pois ‘os bêbados não herdarão o reino de Deus’, (I Co.6:10).

O excesso no uso, ser dominado pelo vinho como beberrão é algo proibido por Deus, pois quem assim procede não é sábio nem participa do seu reino. “Por essa razão determinou que os seus servos se destacassem como obreiros ‘não inclinados a muito vinho”, “não dado ao vinho”, e “não escravizadas a muito vinho”, (I Tm.3:8,Tt. 1:7 e Tt.2:3). Sendo assim, uma vez que “quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal e o coração do sábio conhece o tempo e ‘o modo’,(Ec.8:5), o modo de se usar o vinho, segundo os preceitos bíblicos, é com moderação, sem excesso. Triste é o relato de que na igreja em Corinto, alguns se excediam no uso do vinho para celebrarem a Ceia, que chegavam a ficar embriagados, (I Co. 11:21).

  1. b) Restrições quanto à espécie: Deus faz restrições em sua Palavra acerca de certas espécies de bebidas, afirmando que não se deve usar bebida forte que altera o temperamento. (Pv.20:l), ou que perturba, agita ou ‘esquenta’, (Is.5:11), e traz terríveis transtornos de consciência ou comportamento, (Pv.23:29-35). Com essa restrição fica claro que Deus não quer seu povo envolvido com algo que, mesmo em pequena quantidade provoca efeito grave. Ele requer dos seus servos não só a moderação quanto à quantidade, mas também faz restrições a respeito da espécie ou qualidade essencial da bebida. Num português bem claro: se abster de bebidas de alto teor alcoólico que trazem graves transtornos de embriaguez!

Naqueles tempos bíblicos o povo usava bebidas, mas os temperantes sabiam não só o tanto, mas também quais bebidas usariam.

Conclusão

Os que usam bebidas correm o risco de adquirirem o hábito de beber, e esse hábito, pela frequência poderá se transformar num vício. Nesse caso a bebida passa a exercer domínio sobre o viciado. Mas mesmo que não chegue a esse ponto, nem por isso o usuário passará sem as consequências dos efeitos gerais da bebida.

Dentro dessa realidade, a Palavra de Deus tem muito a nos dizer acerca das consequências diversas do envolvimento com as bebidas. Por “bebedice” queremos dizer a prática ou costume de se usar bebidas no cotidiano ou em certas ocasiões, e com isso estar experimentando os efeitos dessa prática.

Quando se fala em bebidas alcoólicas, preocupa-se às vezes somente com a embriaguez, ou não conseguir manter-se de pé, cair, e etc. e quase não se considera que as bebidas trazem muitos outros efeitos além de fazer a pessoa perder o equilíbrio físico!

Analisando a questão se descobre que estado de embriaguez é aquele em que a pessoa está sob os efeitos da bebida, e não manter-se de pé é apenas um desses tristes efeitos. Portanto nesse capítulo abriremos a Palavra de Deus para conhecermos o que Ele nos diz acerca das consequências da bebedice.

Diminuição da consciência: Diz a Palavra de Deus: “… o vinho e o mosto tiram entendimento”, (Os.4:11); “… não é próprio dos reis beberem vinho nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam e se esqueçam da lei, e pervertam o direito dos aflitos”, (Pv.31:4-5); “… dirás: espancaram-me e não doeu; bateram-me e não o senti…”,(Pv.23:35). E foi numa circunstância de embriaguez, sem condições de reagir, que Amom foi executado por Absalão e seus homens, (II Sm. 13:28-29).

Perturbação geral: A bebida perturba a pessoa quanto à sua visão geral: “… para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada… os teus olhos verão coisas esquisitas…”,(Pv.23:29,30,33).

Perversão da moral: Levando-se em conta que um dos efeitos da bebida é a alteração do senso da realidade, é comum para alguém sob esse efeito perverter a moralidade, e se comportar de forma dissoluta. A determinação bíblica é: “Não vos embriagueis com o vinho, no qual há dissolução“, (Ef.5:18); E as Escrituras Sagradas trazem tristes relatos dessa dissolução: “Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda”, (Gn.9:20-21). Que tristeza! O grande Noé, construtor da arca que subjugou o dilúvio, sucumbiu diante do vinho e perverteu a moral.

Também Ló e suas duas filhas, sobreviventes de Sodoma, não sendo consumidos pelo fogo e enxofre, ele foi vencido pelo vinho e fez abominação terrível, engravidando essas suas filhas, (Gn. 19:30-36).

Esses dois tristes exemplos devem ser ponderados por aqueles que dizem que beber ‘socialmente’ não traz nenhum mal; pois nesses casos mencionados, Noé e Ló, mesmo bebendo ‘familiarmente’ as consequências foram desastrosos.

Existem varias outras consequências que a bebida traz: “Soberba/Arrogância; Desprezo pela Lei Divina; Conflitos e sofrimentos evitáveis; Perda das capacidades pessoais; Pobreza e miséria; Enfermidades gerais; Perda de convívio e isolamento”.

Juízos divinos

Ao desobedecer a Deus nas suas normas quanto à bebida, a pessoa fica sujeita aos Seus juízos, pois Deus expressa a sua ira contra todos que O desacatam, enviando-lhes a punição que tal conduta merece. Ao considerar esses juízos o próprio Deus lamenta a situação desses desobedientes ao pronunciar um triste “ai” acerca deles: “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice, e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta …ai dos que são heróis para beber vinho, e valentes para misturar bebida forte”, (Is.5:11,22).

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