1ª Serie Atos dos Apóstolos – A Espera do Poder

A Espera do Poder

Vamos iniciar a partir desse artigo uma série de estudos sobre o livro de Atos dos Apóstolos, vou fazer uma resenha bem breve nesse artigo sobre os eventos anteriores aos eventos narrados no livro de Atos. Vamos narrar um pouco sobre Atos  1:8.

Não há como estudar o livro de Atos sem uma visão clara da Pessoa do Espírito Santo no plano eterno da Redenção. Inicialmente, vamos olhar a interação da Trindade na teologia da salvação:

  1. Deus, o Pai, elaborou o plano da salvação;
  2. Deus, o Filho, cumpriu o plano da salvação;
  3. Deus, o Espírito Santo, aplicou e continua aplicando o plano da Salvação.

Interessante que se juntarmos os dois tratados de Dr. Lucas (Evangelho e Atos), descobriremos a coerência do autor procurando contar a história do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele diz: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar…”. O fato de o Evangelho de Lucas ter tratado do que Jesus “começou a fazer e ensinar” mostra-nos duas coisas.

Primeiro, a igreja teve seu começo no Evangelho.

Segundo, a obra de Deus não terminou com a ascensão de Jesus. Como já foi observado, o livro de Atos mostra o que Jesus continuou a fazer e a ensinar pelo Espírito Santo, através da igreja.

Lucas toma cuidado em frisar que a obra pelo Espírito Santo é a continuação da obra de Jesus. Foi Ele quem ordenou aos discípulos que aguardassem a manifestação do poder que lhes fora prometido.

ESPERA DO PODER – DÁ RESSURREIÇÃO À ASCENSÃO DE CRISTO (At 1:6-8)

Antes do Dia de Pentecostes, porém, haveria um tempo de espera. Quarenta dias entre a ressurreição e a ascensão de Jesus (At 1:1-3), e mais dez dias entre a ascensão e o Pentecostes. É bom lembrar que durante os cinquenta dias de espera, os discípulos não permaneceram inativos. Pelo contrário, Lucas seleciona e comenta ensinamentos importantes de Jesus sobre o reino de Deus.

O reino de Deus determinou o momento do cumprimento da promessa

Lucas indica aquilo que o Senhor lhes ensinou durante os quarenta dias em que, ressurreto, Se apresentou aos apóstolos, dando provas de que estava vivo. Primeiro Jesus falou do ”reino de Deus” (v.3), o qual tinha sido o centro de Sua mensagem. Em segundo lugar, Ele ordenou que esperassem pela dádiva do batismo do Espírito Santo (1:3,4). Nos versículos 6 a 8 corrigiu algumas noções falsas da natureza, extensão e chegada do “reino de Deus”.

O reino de Deus é espiritual quanto ao seu caráter

Na língua portuguesa, um “reino”, normalmente, é um território que pode ser localizado em um mapa. Mas o “reino de Deus” não tem conceito territorial. O “reino de Deus” não é geográfico, nem político e muito menos eclesiástico. “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20,21).

O reino de Deus é internacional quanto aos seus membros

Os apóstolos ainda nutriam aspirações limitadas, nacionalistas, preconceituosas; indagaram a Jesus se Ele restauraria a independência nacional de Israel, que os macabeus haviam reconquistado no segundo século a.C. Em resposta, Jesus ampliou-lhes o horizonte, Ele prometeu que o Espírito Santo lhes daria o poder de serem Suas testemunhas começando em Jerusalém; alcançando a judéia; depois na desprezada Samaria; e, a seguir, ultrapassando as fronteiras da Palestina (At 1:8).

O reino de Deus é gradual quanto à expansão

A pergunta dos apóstolos incluía uma referência específica ao tempo: “será esse o tempo em que restaurareis o reino de Israel?”. A resposta de Jesus foi dupla. A. “Não nos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade”. A pergunta dos apóstolos denunciou curiosidade e impaciência. Eles não sabiam esperar, como muitos crentes hoje não sabem esperar pelo tempo de Deus. B. Apesar de não lhe ser permitido conhecer os tempos e épocas, eles precisavam saber que receberiam poder para que, no período entre a vinda do Espírito Santo e a segunda vinda de Cristo, pudessem ser testemunhas, em círculos cada vez maiores.

COMO FOI A ASCENSÃO DE JESUS (At 1:9-12)

Pelo menos duas perguntas se formam em nossa mente quando lemos essa história da “ascensão de Jesus”.

A ascensão de Jesus aconteceu literalmente?

Hoje, muitas pessoas, até mesmo dentro da igreja, negam a literalidade da ascensão. Diversas razões podem ser apresentadas para justificar a rejeição dessa tentativa de não aceitar a ascensão como um fato real da história.

  • Os milagres não precisam de precedentes para autenticá-los.
  • A ascensão é um fato aceito em todo o Novo Testamento.
  • Lucas conta a história da ascensão com simplicidade.
  • Lucas enfatiza a presença de testemunhas oculares e repetidamente se refere aos que elas viram.
  • Não existe uma explicação alternativa para justificar o fim das aparições após a ressurreição e o fato de Jesus ter desaparecido da terra.
  • A ascensão histórica e visível tinha um propósito.
  • A Bíblia registra as palavras de Deus, que não mente; que inspirou homens para revelar o que está na Sua mente desde o princípio. Ela é totalmente inspirada e totalmente confiável (2Tm3:16a).

A forma como partiu, uma ascensão visível, atingiu o efeito planejado. Os apóstolos voltaram para Jerusalém e esperaram pelo Espírito Santo.

Os apóstolos em oração, esperando a manifestação do Espírito Santo (At 1:12-14)

Lucas relata como eles permaneceram os dez dias seguintes, antes do Pentecostes: “estavam sempre no templo, louvando a Deus” (Lc 24:53), e, em Atos, relata que perseveraram unânimes em oração. Na verdade a oração dos apóstolos tinha duas características.

Era oração unânime. Era um grupo pequeno. Além dos apóstolos e dos irmãos de Jesus, são mencionadas as mulheres, provavelmente referindo-se a Maria Madalena, Joana e Suzana, com Maria, mãe de Jesus.

A oração era perseverante. O sentido do verbo perseverar, neste texto, significa estar ocupado. Enquanto os discípulos esperavam a chegada do Espírito Santo, se ocuparam da “Palavra”, “do partir do pão” e “da oração”. Hoje, a igreja já tem o Espírito de poder, mas espera a volta de Jesus. E deve esperar como esperavam os discípulos: ocupados com a Palavra, com o partir do pão e com a oração.

A ESCOLHA DE MATIAS PARA O APOSTOLADO (At 1:15-26)

Tendo relatado a comissão do Senhor, Sua ascensão e as orações perseverantes dos discípulos, Lucas chama a atenção para apenas mais uma ação antes do Pentecostes: a eleição de um outro apóstolo, para substituir Judas. Vamos aos fatos.

A morte de Judas

Nos Evangelhos, apenas Mateus e Lucas relatam o que aconteceu com Judas. Seus relatos não divergem. Ambos afirmam que Judas teve uma morte miserável. Ele, tocado de remorso, suicidou-se (Mt 27:3-5; At 1:18).

O cumprimento das Escrituras

A justificativa para substituir Judas estava no Antigo Testamento. Essa era a convicção de Pedro, expressa perante os crentes: “Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas” (At 1:16). Precisamos lembrar que, de acordo com Lucas, o Senhor ressurreto tinha aberto as Escrituras perante os Seus discípulos e, também, a mente deles para que pudessem entendê-las como conseqüência. A partir da ressurreição, eles começaram a ter um entendimento diferente de como o Antigo Testamento profetizou os sofrimentos, a glória, a rejeição e o reino do Messias.

A escolha de Matias

A proposta de Pedro para que fosse escolhido um décimo segundo apóstolo para substituir Judas (At 1:22,22) identifica seu entendimento do apostolado.

O ministério apostólico exigia perfil (At 2:21-22).

O ministério apostólico deveria ser escolhido pelo próprio Senhor (v.24).

CONCLUSÃO

Deus não faz nada sem um propósito definido. Não foi diferente com relação ao período de 50 dias entre a ressurreição e a ascensão. A igreja iniciante precisava firmar-se na doutrina e na história do Evangelho. Por isso mesmo, quatro fatos foram e continuam sendo importantes para a autenticação da igreja.

O comissionamento dos discípulos (At 1:8).

A ascensão de Jesus (At 1:9).

Os apóstolos em oração (At 1:12- 14).

A escolha de Matias (At 1:15- 26).

1ª Serie Atos dos Apóstolos – A Espera do Poder
4.5 (90%) 2 votes

Receba Estudos Bíblicos Grátis 

Coloque Seu Email no Formulário

100% livre de spam.

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

Seja o primeiro a comentar!