Como ser um bom líder na igreja? Jesus exemplo de liderança Moral

“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir”.

O que queremos dizer quando atribuímos a Jesus a condição de um “líder moral”? Sabemos que Jesus é o Filho unigênito de Deus, nosso Senhor e Salvador (Jo 3.16). Nós o adoramos como o nosso Deus (Mt 16.16) e a ele devemos louvor e ações de graças por ser o nosso Redentor (Is 49.26), Mestre (Jo 11.28) e, sobretudo, Amigo (Jo 15.12-14). Mas, repetimos o que significa exatamente a liderança moral de Jesus?

Para início de nossas considerações, vamos registrar o que o Dicionário Aurélio descreve como sendo “moral”: “Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer lugar, quer para grupo ou pessoa determinada”. Vamos refletir acerca do tema deste artigo, considerando que Jesus, mais do que ninguém, viveu o que ensinou. As orientações que ele transmitiu aos seus discípulos e às multidões que o acompanhavam eram, antes de tudo, o reflexo de sua vivência.

A liderança moral de Jesus pode ser avaliada em dois aspectos principais: no cumprimento da lei e no que ele excedeu ao cumprir a lei indo muito além do que se poder esperar

O LÍDER JESUS – AUTORIDADE FUNDAMENTADA NA PRÁTICA DOS PRECEITOS LEGAIS

A liderança moral de Jesus se assenta no fato de que ele foi um cumpridor fiel e dedicado da lei, em sua melhor acepção. O evangelista Mateus ó taxativo em registrar a declaração de Jesus: “não vim destruir a lei… mas cumprir” (Ml 5.17b). A Bíblia nos diz que Jesus cumpriu a lei quando determinou quer  fossem observadas as recomendações de Moisés (Mt 8.4); quando participou e respeitou as festas do calendário judaico (Jo 7.10) ou quando comeu o cordeiro pascal (Mt 26.19). Também, encontramos em Hebreus (7 a 10) uma clara exposição de como Jesus cumpriu a lei ao assumir, em caráter permanente e definitivo, os símbolos e os preceitos transitórios da lei mosaica.

Ao cumprir a lei em todo a sua inteireza, Jesus pôde dar a ela uma dimensão que os escribas, fariseus e sacerdotes jamais poderiam dar: a dimensão da transcendência.

Jesus foi capaz de perceber que alei, em sua essência, era muito mais que preceitos e regras: a lei era, na verdade, a expressão da preocupação amorosa de Deus com a felicidade dos homens e, por isso, foi fácil para ele resumir a lei nos “dois grandes mandamentos“: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento ” e “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo ” (Mt 22.34-40).

Aos ouvintes que se maravilharam com os seus ensinos (Mt 5 a 7), um detalhe chamava a atenção: eles ficaram impressionados com a sua autoridade. Autoridade derivada de sua autenticidade, integridade e coerência. De modo mais detalhado, podemos dizer que:

Ao cumprir a lei, Jesus construiu para si a autoridade decorrente da autenticidade – Ao contrário do que era comum em sua época, Jesus praticava o que ensinava (Mt 7.24-29). O povo estava habituado a ouvir – e a não respeitar – mestres e doutores da lei que eram muito bons em recomendar e péssimos para seguir as suas próprias receitas.

Jesus mesmo os repreendeu de forma veemente (Mc 12.38-40; Lc 6.1-5; Lc 11.14-28, entre outros). Com Jesus, no entanto, tudo era diferente: tudo que ele recomendava, cumpria.

Ao cumprir a lei, Jesus construiu para si a autoridade decorrente da integridade – Diante de autoridades corrompidas e complacentes com o conquistador romano; em meio a líderes religiosos legalistas e insensíveis e em meio a um quadro de um povo completamente entregue à desesperança, logo a integridade de Jesus se destacou.

Seu amor e compaixão pelos desvalidos, sua energia e firmeza em enfrentar escribas e fariseus “devoradores das casas das viúvas” (Mt 23.14) e o zelo com que tratava as coisas de Deus (Lc 19.45-48) fizeram de Jesus um modelo de integridade. E, como consequência, homens como o centurião de Cafarnaum podiam dizer, reconhecendo a autoridade de Jesus: “Senhor, não te incomodes; porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; por isso nem ainda me julguei digno de ir à tua presença; dize, porém, uma palavra, e seja o meu servo curado”.

Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz “(Lc 7.6-8).

Ao cumprir a lei, Jesus construiu para si a autoridade decorrente da coerência:

Ser coerente, diz o Dicionário Aurélio, é possuir coesão, ligação ou adesão recíproca. E ainda: estar ligado, entre situações, de forma harmônica; ter conexão, nexo, lógica. Em suma, ser coerente é possuir e apresentar harmonia entre ações e palavras; entre gestos e atitudes; entre o que ensina e o que faz. Na denúncia que faz dos fariseus, Jesus foi enfático em afirmar: “Portanto, tudo o que vos disser, isso fazei e observai; mas não façais conforme as vossas obras; porque fazem e não praticam ” (Mt 23.3).

O que havia de errado com os fariseus? Não era o seu ensino, que era correto e deveria ser seguido (v. 3), mas as suas atitudes, que não estava de acordo com os seus ensinos. Ou numa palavra: incoerência. Jesus era uma autoridade, uma referência moral, porque era e pagava o preço da coerência.

Aprendemos com o líder Jesus que a nossa liderança moral está, diretamente, associada à nossa coerência, integridade e autenticidade. Isso ele nos mostrou ao cumprir a lei

Aprendemos com o líder Jesus que a nossa liderança moral está diretamente associada à nossa coerência, integridade e autenticidade. Isso ele nos mostrou ao cumprir a lei. Mas, quando Jesus foi além, quando a “sua justiça excedeu à dos escribas e fariseus” (Mt 5.20) isto é, quando ele fez mais do que a lei exigia, ele nos mostrou um novo paradigma de autoridade e liderança moral.

O LÍDER JESUS – AUTORIDADE FUNDAMENTADA NA PRÁTICA QUE SUPERA E AMPLIA OS PRECEITOS LEGAIS

Como já vimos, a liderança moral de Jesus tem uma outra dimensão ainda maior: ele não só praticou a lei mas, também, a reinterpretou, dando-lhe, em alguns casos, o seu verdadeiro significado e, noutros, restaurando o que se havia perdido ao longo dos anos. A fórmula que encontramos com frequência nos Evangelhos.  “Ouvistes o que foi dito aos antigos ” e “Eu, porém, vos digo”, é a melhor expressão desta atitude de Jesus.

Quando Jesus deu um novo sentido, resgatou a essência de um mandamento ou deu um novo significado a uma prescrição da lei de Moisés, ele estava indo além de uma mera reforma religiosa ou de costumes. Na verdade, ele estava revelando, em maior profundidade e substância, a vontade de seu Pai, o nosso Deus Eterno. Exemplo claro disso está em sua recomendação acerca da prática do divórcio: “Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio” (Mt 19.8).

Jesus viveu além da lei. Transcendeu os limites dos códigos e das regras. E, ao superar os limites do tradicional e já sabido, tornou-se um modelo para nós de liderança moral também porque:

Ao superar os limites da lei, Jesus estabeleceu um novo paradigma: o amor acima de todas as coisas – A exemplo do Pai Celestial que “amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16), Jesus nos mostrou que o sentido, o propósito e o fim de toda atividade é o amor. Ao ressaltar o amor no grande mandamento (Mt 22.34-40), Jesus mostra que “o que ama, cumpre toda a lei”, conforme registrou o apóstolo Paulo em sua carta aos Gaiatas (5.14).

O exercício da liderança deve exigir de cada um de nós um profundo amor ao nosso Deus e igual amor aos nossos liderados. Se queremos alcançar o padrão de liderança moral desfrutado por Jesus, precisamos aprender a amar.

Ao superar os limites da lei, Jesus estabeleceu um novo critério de aferição do que é importante: o servir – A liderança de Jesus e sua autoridade moral foram construídas, também, em função de uma atitude: ele “não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28).

O que Jesus nos ensina aqui é que o padrão ideal de liderança é o líder que serve. Este modelo de liderança está se tornando cada vez mais presente nos cursos de treinamento de executivos das grandes empresas e corporações multinacionais. O líder-servo é aquele que faz de sua missão o dar condições aos seus liderados de cumprirem com as suas próprias missões.

O líder-servo, neste novo paradigma proposto por Jesus, é um facilitador. Quando os discípulos de Jesus disputavam entre si para estabelecer quem seria o que em seu reino, ele os orientou: “Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados de benfeitores. Mas, vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa, como quem serve ” (Lc 22.25,26).

Ao superar os limites da lei, Jesus estabeleceu um novo sistema de valores, onde o mais importante é a vida. “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10.10). A declaração de Jesus é categórica: ele veio para nos trazer vida e vida em plenitude.

A liderança moral de Jesus também se estabeleceu a partir de sua missão: “nele estava a vida” (Jo 1.4). Aprendemos com o líder Jesus que a fonte de nossa autoridade moral está associada à defesa e à promoção da vida, em todas as suas dimensões. O apóstolo Paulo, quando escreveu aos coríntios sobre a obra redentora de Jesus, nos deu a exata dimensão do seu alcance: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.17a).

A queda do homem comprometeu toda a criação (Gn 3) e o resgate, em Cristo, também alcança toda a obra de Deus (2Co 5.18). Para sermos líderes como Jesus nos indica, precisamos ser arautos da beleza e da importância da vida.

CONCLUSÃO

Jesus é sem dúvida alguma o maior líder de todos os tempos. Sua liderança atinge todas as dimensões da vida e da existência humana. O pouco que vimos nos dá uma ideia de sua poderosa liderança moral.

Uma liderança estribada no respeito completo no cumprimento fiel da lei. Uma liderança que se sustenta em sua capacidade de transcender, de ir além dos limites das regras e dos códigos. Uma liderança que se dá por meio de novos paradigmas onde sobressaem o amor, o serviço e a vida. Que, à semelhança dele, sejamos verdadeiros lideres que se destacam e se firmam pela sua conduta e prática moral.

Como ser um bom líder na igreja? Jesus exemplo de liderança Moral
3 (60%) 3 votes

Pesquisas que levaram a este artigo:

  • como ser um bom lider na igreja
  • como ser um lider na obra de Deus
  • estudo biblico autridade moral elegal

Receba Estudos Bíblicos Grátis 

Coloque Seu Email no Formulário

100% livre de spam.

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

2 Comentários

  1. giovanei barreto disse:

    gostaria de receber estes estudos em slides. para passar para igreja nos cultos de ensino