Depressão! O Mal deste Século

“A minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma”. (Jo 10.1).

Ela não respeita ninguém. Pode atingir pessoas de qualquer idade, de qualquer lugar, de qualquer classe, de qualquer sexo, de qualquer crença. Estamos nos referindo à Depressão, uma das experiências mais perturbadoras e mais incompreendidas, como entendermos, enfrentarmos e superarmos o episódio depressivo, que transforma e desarticula todas as dimensões da nossa vida individual, espiritual e relacional? Quem sabe Deus use este artigo, que tem por base o livro de Jó, para nos ajudar a encontrar, ao menos, parte da resposta dessa pergunta nervosa, porem, tão oportuna e tão urgente.

Depressão! O Mal deste Século

As vitimas da Depressão

A Depressão é tão universal quanto o mais comum dos resfriados, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela atinge cerca de trezentos e quarenta milhões de pessoas, em todo o mundo. No Brasil, existem cerca de treze milhões de depressivos. Conquanto seja bastante comum, a Depressão é encarada com preconceito e discriminação. Por esta razão, procura-se, ao máximo, esconder ou reprimir o estado depressivo, dificultando a sua descoberta rápida e o seu tratamento adequado.

É, ainda, mais difícil admitir a Depressão no contexto evangélico! Sabe por quê? Por que muitas pessoas associam depressão a fraqueza, pecado e demônio. Diante disso, inúmeras pessoas que participam conosco das adorações coletivas semanais sofrem caladas, solitárias e impotentes os terríveis transtornos do episodio depressivo. Mas, afinal, o que é depressão? O que causa? Quais são os seus sintomas? O que dizer a uma pessoa deprimida? Quais as tentações da depressão? É possível supera-la? Estas e outras questões serão respondidas na sequencia.

Os motivos da Depressão

O que fez com que Jó entrasse num estado depressivo? A sua depressão teve uma causa exterior e visível, facilmente identificável: misteriosas, repentinas e sucessivas tragédias. Em questão de horas, a riqueza e a família daquele homem honesto, piedoso, e respeitado foram destruídas e arrasadas. Houve, ainda, outra grande perda, sua saúde. O seu corpo ficou cheio de feridas horríveis, ele mesmo fala dos terríveis sintomas que acompanharam a sua enfermidade.

Vale dizer, porém, que nem sempre é possível identificar uma situação externa que justifique o quadro depressivo, há pessoas que tem tudo – emprego, família, carinho, amizade, proteção – para serem felizes, mas são deprimidas.

Elas se perguntam, culpadas: “Porque me sinto assim, sem alegria, sem brilho, sem animo, sem paixão?” De acordo com os especialistas, há estados depressivos que são causados por um desequilíbrio bioquímico em nosso cérebro, onde atuam mensageiros químicos chamados neurotransmissores, que ajudam a controlar e equilibrar as emoções.

Os sintomas da depressão

Albert Fiessen destaca que a depressão, no externo de sua manifestação, por alterar profundamente o nosso pensamento, o nosso sentimento e o nosso comportamento, pode chegar a paralisar completamente a nossa capacidade de ação, impossibilitar-nos de desempenhar as tarefas mais comuns, e até mesmo, levar-nos a perder o interesse pela própria existência, causando um profundo sofrimento à pessoa, à família e a seus amigos.

Alguns de seus vários sintomas são: A redução na capacidade de sentir prazer em maior parte das atividades, antes, consideradas como agradáveis; fadiga ou sensação de perda de energia; diminuição da capacidade de pensar; de se concentrar ou de tomar decisões; perda ou excesso de sono; perda ou excesso de apetite; recusa em estarem com outras pessoas, crises de choro; sensação de desamparo; comportamentos suicidas; irritabilidade; sentimentos de inutilidade; ideias de culpa extremamente penosas; sensação de irrealidade. Vemos em Jó alguns desses sintomas. Jó 3.20,21,26.

Os conselhos na depressão

Em seu estado de profunda angustia, Jó recebeu a visita de alguns amigos, que tinham a intenção de oferecer0lhe palavras de consolo e de conselho (Jó 2.11). De inicio, ficaram calados somente escutando as palavras e observando a situação daquele homem marcado pela tragédia. Deveriam continuar calados! As suas palavras e os seus conselhos foram desastrosos e deprimentes. Eles foram péssimos conselheiros e terríveis consoladores.

As palavras de Elifaz; Jó 4.3-5, 7-9; 15.4,20,26, Bildade; Jó 8.2,13; 18.2,5,12, Zofar; Jó 11.2-3, 12-15 e Eliú; Jó  34.7,33,37. Golpearam, censuraram, humilharam e culparam aquele homem fisicamente enfermo, emocionalmente deprimido e espiritualmente confuso. A acusação superou a compaixão! As pessoas que sofrem de depressão sentem-se sozinhas, imponentes e antipáticas. Embora esteja clamando por socorro e auxilio, a pessoa deprimida tem a impressão de que ninguém se importa ou se interessa pela sua situação. Jó se sentiu assim.

Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos se apartaram de mim. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos. Chamei a meu criado, e ele não me respondeu; cheguei a suplicar-lhe com a minha própria boca. O meu hálito se fez estranho à minha mulher; tanto que supliquei o interesse dos filhos do meu corpo. Até os pequeninos me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim. Todos os homens da minha confidência me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes. Jó 19.13-20

As tentações da depressão

O livro de Jó mostra que a pessoa deprimida está sujeita às tentações da inquirição, da amargura, da apostasia e do suicídio. Quanto a isso, de maneira bem resumida, podemos dizer que;

1 – A tentação da inquirição implica inquirir, perguntar, questionar a causa, o porquê, a razão de tanta aflição. O livro de Jó esta cheio de porquês.

2 – A tentação da amargura, por sua vez, implica em que um abismo chama outro abismo. Por não obter as respostas desejadas, a pessoa ressente-se contra tudo e contra todos. Isso ocorreu com Jó. Jó 7.11.

3 – A tentação da apostasia nasce da amargura e é caracterizada, primeiramente, por um rompimento com a palavra de Deus e, posteriormente, por um rompimento com o Deus da palavra. Se Jó tivesse dado ouvido à esposa, teria caído na apostasia. “Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre”. (Jó 2.9)

4 – A tentação do suicídio, de sua parte, implica em que, com o passar do tempo, o deprimido passa a ansiar ou a pensar na própria morte, como uma solução para aflição. Estudos apontam que 60% das pessoas que se suicidam apresentam sintomas depressivos. Com Jó foi diferente pois conhecia o erro no suicídio, porém pediu para Deus lhe tirar a vida.

“Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida. A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias”. (Jó 7.14-16)

Os antídotos da depressão

Pode ser que você esteja na caverna da depressão, tentando escapar deste terrível estado emocional. Você pensou que aquela tristeza fosse passar logo, mas não passou. Chegou para ficar. É possível que a sua situação, agora, seja tão complexa que precise de tratamento especializado. Se o nosso problema é de natureza física, procuramos o especialista, que pode ser um cardiologista, um oftalmologista, um ginecologista, etc. e se o problema for de natureza emocional? Devemos sem hesitação ou relutância, procurar os especialistas da Psicologia e da Psiquiatria. Deus, por meio da graça comum, dotou-se de conhecimento e habilidades que podem ser usadas para cuidar da nossa saúde.

Em entrevista dada à revista evangélica Ultimato, que teve como capa Depressão e Sofrimento, Uriel Heckert, doutor em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo, destacou que, no tratamento da Depressão, o ato de diagnosticar, medicar, exercer a psicoterapia, orientar sobre atitudes e riscos são funções especificas dos psicólogos e psiquiatras. Ele, porém, reconhece que familiares e amigos habilidosos, especialmente, aqueles que já passaram por experiências semelhantes, bem como pastores e conselheiros capacitados, também tem a sua contribuição. A igreja, se for uma comunidade de acolhimento e encorajamento, de igual modo, pode ajudar aos que sofrem com a depressão e às suas famílias.

Pesquisas que levaram a este artigo:

  • depressão profunda igreja universal

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